sexta-feira, 7 de abril de 2017

Portugal Curvy #13 - Auto-estima

A auto-estima ou por vezes a falta dela tem sido um tema sempre presente na minha vida.
Como tenho as ancas largas nunca pareci muito magra. Já tive fases em que estava mais gordinha outras menos. Há cerca de 11 anos atrás cheguei aos 54 kg (tenho 1,61 cm). Sentia-me bem com o meu corpo. Vestia números mais baixos e ficava tão contente por comprar coisas que normalmente não me serviam.Penso que este peso se devia ao facto de fazer aulas de dança intensivas, e também por sair muito para dançar. Não fazia qualquer tipo de dieta.
Alguns anos passaram, o trabalho tornou-se mais sedentário, deixei as aulas de dança e não praticava exercício físico, tudo isto acompanhado de uma fase a nível pessoal bastante complicada. Em 2011 já pesava cerca de 65 kg. Fiz uma dieta e nunca consegui perder mais do que 3 kg. Tentei voltar às aulas de dança mas a vida e o tempo livre já não eram os mesmos. Uma vez por semana não chega para perder peso. Depois de mais dietas, tentativas de idas ao ginásio que detesto entre outras, coisas hoje encontro-me assim:
42 anos, mãe de dois filhos, não pratico desporto porque não tenho tempo (não é uma desculpa). Só posso fazer leves caminhadas porque tive uma trombose na perna na ultima gravidez. O desporto que emagrece está proibido para esta menina, assim como tudo o que seja tratamentos para a celulite com aparelhos.
Estou um pouco acima dos 70 kg. Não me peso há muito tempo. Tenho barriga, tenho muita celulite. Até 2016 vivia sempre em conflito com um peso a que não estava habituada, com os constantes comentários dos outros que comparavam a minha figura de há anos atrás. Cheguei a ir à praia e não me despir.
Até que um dos mais cruéis comentários que me fizeram me fez acordar: Assim não vou a lado nenhum pensei, tenho de me aceitar.
A aceitação traz serenidade. A auto-estima em alguém que não tem uma silhueta segundo os padrões impostos pela sociedade é algo inesperado, desarma os que nos criticam e estavam à espera de nos ver derrotadas por termos uns quilinhos a mais.
Hoje aceito-me como sou, já não fico triste se não consigo caber em determinada peça de roupa. Hei de achar outra ainda mais gira.
E sabem uma coisa? Este ano vou à praia e vou mostrar o fato de banho ou o bikini, assim como a minha celulite porque este é o meu corpo e eu tenho orgulho dele. Não quero perder o primeiro contato com a praia do meu filho mais novo. Se seu eu não estiver bem comigo mesma como é que vou cumprir o papel mais importante e gratificante da minha vida: o de ser mãe.

 







A mentora do movimento:
Participantes:
Cláudia e Lane - http://www.mulherxl.pt/

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